Meu plano de saúde é empresarial, e o anterior Amil já tinha passado do prazo de carência para qualquer cirurgia, mas a empresa teve problemas administrativos com este plano e decidiu mudar para o Bradesco Saúde. A mudança até foi benéfica em muitos aspectos, mas sentirei falta da ginástica holística da UCP da Amil, excelente por sinal. Talvez eu volte a fazê-la particular, quem sabe. Com o novo plano, como já tinha intenção de fazer a cirurgia, me preocupei com os prazos. Como a Bradesco comprou a carência da Amil pensei que não ia ter problemas. Ledo engano.
Comecei a procurar médicos em novembro 2009. O primeiro que procurei fez um terror psicológico tão grande que até pensei em desistir. Passado um tempo de pensativas, pedi a ele os exames iniciais. Os exames demoram um pouco. São muitos e alguns demorados, fora que tem que se adequar seus horários aos dos laboratórios. Lembro de ter aproveitado o feriado de São Sebastião, apenas no Rio, e ir fazer vários exames em Niterói. Espertinha, não? Aproveitei, e levei minha afilhada, marido e minha amiga de SP Juliana e todos foram passear em Niterói enquanto eu fazia exames. Este médico e sua clínica muito bem conceituada tem aquelas sessões pré-operatórias com milhares de reuniões com nutricionistas e psicólogos antes da cirurgia. Acho válido para certos pacientes, mas também penso que 12 reuniões ao ano podem esmorecer o candidato a cirurgia. Fora que em um ano muita coisa pode acontecer, por exemplo, ficar sem plano, perder o emprego, engravidar, enfim... o que atrasaria ainda mais. Pensando nisso, e orientada por minha amiga de trabalho Miria, fui indicada à equipe com quem operei. Um amigo dela teve muito sucesso com eles e fui ver o cirurgião em 25 de janeiro, já com todos os exames prontos, eficiência nota 1000. Consultas com clinico, psicólogo, nutricionista, tudo pronto, todos os laudos escritos, cirurgia marcada para março e ... o plano ficou silencioso quanto à uma aprovação. Perdi a data.
Como teria que adaptar meu calendário, o da empresa (o mais importante), o da faculdade, enfim, remarquei para 29 de junho, dia de São Pedro, a quem muito pedi proteção. Mas, não fiquei silenciosa, botei pra quebrar, minha amiga Miria foi essencial, falou com os gerentes da conta empresarial, com a agência intermediária do plano, moveu céus e terras e eis que, depois de sua intersecção, eles me pedem um laudo com uma curva de peso dos últimos dois anos. Ora, sinceramente, QUEM É QUE TEM ISSO? Entreguei a eles 4 laudos, do cardiologista, do ortopedista, do endocrinologista e do cirurgião, todos garantindo a necessidade da cirurgia. Voltei a fazer o pedido de data no hospital. Recebi um telegrama do plano dizendo que minha obesidade era anterior ao plano. Nãããããããooooooo, Pedro Bó, eu era magra e esbelta em novembro e em março estava um mamute !!!! Pode um negócio desses? Analisei bem a resposta, por escrito, que ia a dar a eles, e educadamente expliquei que sim, sempre fui gordinha, mas que a obesidade tem niveis, (sobrepeso, obesidade tipo I, tipo II e tipo III - ou mórbida). E que vinha tentando emagrecer desde 2001, quando ainda tinha somente um sobrepeso, e a coisa evoluiu (confesso que em 2006, desempregada e frustada com uma série de coisas, descontei na comida e na cerveja muita coisa, chutei o balde e fiz da jaca a minha pantufa. Cheguei ao tipo II entre 2009 e em 2010, disparei. Entre abril e junho perdi quase todas as minhas roupas. As calças explodiam. E uma certa vez, o botão do paletó pulou no rosto do Presidente da empresa, que sentava na minha frente, no meio da reunião de diretoria. MICO TOTAL! Imagina se, caso estivesse de boca aberta, mato o Presidente engasgado com o botão do meu paletó? Realiza a cena!
Considerada grave pela OMS, a obesidade tipo II é passível de cirurgia com IMC acima de 35 com co-morbidades, e esse nível eu só alcancei após o plano. Estava com 37,5 de IMC, cheguei ao peso total de 99,7 em 1,61m. A hipertensão que me acompanha desde nova, sim, era pré-existeste, mas as demais co-morbidades não. Lá estava eu com gordura no fígado, com a insulina chegando ao seu ponto crítico, pré-diabetes, problemas ósseos, etc, que apareceram após a obesidade tipo II. Com uma carta de 2 páginas, extremamente educada e elegante, sem brigar nem xingar ninguém, dei a eles um prazo igual ao que eles haviam me dado para resposta, e uma semana antes de 29.06, obtive a liberação. Graças a Deus! Daí foi um corre-corre para refazer alguns exames, falar com o médico de novo, fazer todos os pagamentos, ajeitar as coisas na empresa para que tudo ficasse nos conformes e não deixasse furos por lá, e deu tudo certo. No dia anterior, ainda fui fazer minha última prova na faculdade. Intervalo perfeito no trabalho, férias na faculdade, férias da Daniele que trabalha comigo, que gentilmente aceitou meu pedido para ficar comigo de companhia, e fazer as comidinhas da fase liquida, me ajudar com os remedios, a organização da casa, e a janta do marido, nestes 20 dias iniciais e mais chatinhos do pré-operatório. Bom, claro que a contratei.
No próximo relato, vou contar a vocês como foi a cirurgia e os acontecimentos dos primeiros dias do pré-operatório. Nem tudo são flores como se pensa!
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